Em seu fazer artístico, Moises Miranda ultrapassa a pintura entendida apenas como técnica ou representação. Sua prática se configura como um campo de mediação entre o visível e o invisível, entre a experiência sensível e aquilo que se intui. A luz, elemento central em seu trabalho, atua como força articuladora dessa travessia, permitindo que estados interiores e percepções sutis se convertam em matéria pictórica, cor e atmosfera.
Suas paisagens emergem do entrelaçamento entre memória, vivência e intuição. Não se vinculam a geografias específicas nem a tempos determinados, mas constituem sínteses poéticas de múltiplos lugares, climas e estações. São construções imaginais que condensam experiências do mundo natural filtradas pela percepção subjetiva do artista.
Ao longo desse processo, Moises busca uma experiência visual autêntica, resultante de um exercício contínuo de observação da natureza e de reflexão interior. Suas pinturas procuram apreender a emoção suspensa em um instante silencioso — um tempo dilatado que pode pertencer a qualquer lugar ou época — conduzindo o pensamento a camadas mais sutis da percepção sensível e emotiva.


